quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ALFABETO VISUAL PARA USAR FAZER E COMPREENDER AS DIVERSAS LINGUAGENS

ALFABETO VISUAL PARA USAR FAZER E COMPREENDER AS DIVERSAS LINGUAGENS
1) ALFABETO VISUAL
O que é linguagem? O que é código? O que são signos?
a)Linguagens
Sistema próprio de organização
b)Linguagem Visual
Código próprio = elementos que servem para formar suas mensagens compreendemos e usufruímos melhor essas mensagens quando conhecemos os elementos que as constituem, as estratégias que o autor usou e os recursos sobre nossa sensibilidade = é isso que forma o alfabeto visual)
c)Código
Elementos que servem para formar mensagens
Exemplo: carta enigmática
2) SIGNO, MARCA, SINAL
a)Signos
Marcas com a intenção de transmitir ideias
b)Signo
Forma associada a uma idéia. Pelos signos nós nos comunicamos com os outros e transmitimos nossas mensagens
c)Signos do cotidiano
Listar os signos conhecidos. Pesquisar os signos do cotidiano
d)Marcas
Podem ser voluntárias e involuntárias
e)Marcas gráficas
São produzidas por instrumentos tais como: lápis, caneta, giz, pincel e outros...
f)Sinais involuntários
São as nossas marcas involuntárias, espontâneas
g)Sinais voluntários
NAO são espontâneos, servem para comunicar idéias de acordo com a superfície e
instrumentos.
Exemplos: línguas e códigos criados por grupos diferentes; língua do p;
3) PONTO
Sinal Gráfico mínimo e elementar
Pontos podem criar idéias, comunicar sensações, dar idéia de movimento, ritmo luz, sombra, volume, atmosfera.
O ponto está na base de todos os desenhos
Exemplo: Pontilhismo - Georges Seurat - Domingo na Ilha da Grande Jate (1884 - 86)
4) LINHA

O PONTO



PONTO é a unidade mais simples e expressão mínima da comunicação visual. Não tem geometricamente uma dimensão, área ou superfície. É simplesmente invisível. como se trata do elemento visual mais simples, torna-se necessário graficamente torná-lo visível. Acontece por exemplo quando a ponta do lápis contacta com o papel.
Os pontos podem ser:
Muitos artistas na criação das suas obras utilizam as potencialidades plásticas do ponto ( forma, dimensão e cor). Ficam aqui alguns exemplos.
A Linha


Marca continua ou com aparência de continua
Linha gráfica = traçada com a ajuda de qualquer instrumento sobre uma superfície
Uma linha pode / linhas podem:
a)sugerir movimento e ritmo
b)comunicar sentimentos e sensações
c)definir figuras e formas
d)transmitir dinamismo, velocidade, ímpeto, harmonia, musicalidade, violência, agressividade, medo, dor...
e)Ser artística e decorativa
Exemplos: vaso; mapa / guia de rua; "estrada*
Exemplos: Picasso - Estudo para Mercure. 1924; estudos de Picasse para o quadro Guemica.
Sugestões: cantinho de réguas; impressão em azulejo e papel poroso

A LINHA



“A linha é um ponto dando um passeio” Klee
LINHA pode ser definida como um ponto em movimento. Assim, uma linha é constituída por um conjunto de pontos. O comprimento é a única medida que uma linha pode ter e a sua representação no espaço é infinita.
A linha evidencia formas e tem uma função técnica e expressiva na representação e na comunicação visual. É um elemento gráfico do desenho muito importante, pois com ela podemos definir formas e mostrar a nossa imaginação e criatividade.
Exemplos como alguns artistas utilizaram a linha de forma criativa



5. PROPORÇÃO
Relações entre os dois lados de um objeto
Proporções continuam iguais mesmo que o desenho seja reduzido ou aumentado
Proporções quando não respeitadas, deformam o todo
Alguns artistas exploram a falta ou a quebra das proporções para darem um clima estranho e inquietante aos seus trabalhos
Exemplos: figura aumentada em escala
Van Gogh - O Quarto; Velasquez - As Meninas; Tarsilia - Abapuru
6. SUPERFÍCIE e TEXTURA
Superfície - diferentes formas e tipos: tela, cartolina, tecido, madeira, parede, azulejo, papel, materiais reaproveitados, etc
Superfície - diferentes personalidades: enrugada, esponjosa, crespa, aveludada, acetinada, felpuda, granulada, ondulada
Textura = aspectos da trama e do entrelaçamento das fibras que constituem uma superfície
Textura / técnica - existem desenhos feitos em técnica denominada textura
Cada tipo de textura pode provocar um tipo de reação
A combinação de texturas diferentes em desenho ou pintura pode produzir efeitos interessantes e surpreendentes
Exemplo: Renoir - O Almoço dos Rower, 1875 /1876 (Detalhe): Jan Van Eyck - Mossa Senhora do Cônego Van der Paele, 1436 (Detalhe)
7. CORES
Exercem determinado efeito sobre as pessoas
Não conseguimos ficar muito tempo em ambiente exageradamente colorido
Induzem á dança e à movimentação; predispõem á calma e à paz;
Exemplos: comparar lanchonetes fast- food e lanchonetes que tenham o objetivo de que os clientes demorem e gastem muito; hospital / escola; salão de igreja / salão de baile.
Há uma energia que vem das cores que influencia nosso estado de espírito - tem efeito sobre nosso humor. Exemplo: fase AZUL de Picasso
Função simbólica = podem transmitir idéias ou conceitos
Cor
É um fenômeno físico; Cores são geradas pela LUZ
Exemplo: Isaac Newton. DISCO COLORIDO
a) Branco
Círculo com 7 cores girando = as cores desaparecem - surge o BRANCO
b) Preto
Absorve todos os raios luminosos e não reflete nenhum dos raios; um objeto preto exposto ao sol, ABSORVE muito mais CALOR do que um branco ou de cor clara.
c) cores primárias
Puras, sem mistura = VERMELHO. AMARELO, AZUL
As cores se organizam de acordo com sua relação com 3 cores principais das 3 cores primárias surgem combinações que formam todas as outras...
Na cor, o todo é formado pelas cores primárias (vermelho, amarelo e azul).
d) cores secundárias
Formam-se a partir da mistura de duas cores primárias: laranja, verde e roxo. Cada cor secundária é complementar de uma cor primária que não entrou na sua formação
(mistura).
e) cores complementares
As cores se complementam entre si por oposição = complementares
Cada uma das cores primárias tem a sua cor complementar.
Essas cores se atraem e se valorizam mutuamente, modificando a percepção que temos delas - quando colocadas lado a lado, representam o mais forte contraste que pode haver entre as cores, tomando-as mais vivas = alcançam efeitos de luminosidade máxima.
Uma cor pode influenciar a outra.
Um traço preto modifica o efeito de uma cor sobre a outra-
f) cores complementares
Cada cor secundária é COMPLEMENTAR de uma cor primária que não entrou na sua formação (mistura). A parte COMPLEMENTAR de qualquer coisa é a parte que falta para completar o todo. Na cor, o todo é formado pelas cores primárias (vermelho, amarelo e azul).
g) cores quentes
Parecem ser mais alegres, mais vivas, lembram o fogo, o sol, transmitindo a sensação de calor dão a impressão de proximidade e de expansão: rosa magenta, laranja, amarelo e principalmente as cores derivadas do vermelho.
h)cores frias
Podem dar a impressão de afastamento, distância, calma, repouso, sombra; são geralmente usadas para representar a água, o céu, a neve, o gelo, transmitindo a sensação de frio; são derivadas principalmente do azul: azul, verde e roxo.
i)cores neutras
Cores que combinam com qualquer outra cor: branco, cinza e preto.
j) monocromia
É a harmonia conseguida quando utilizamos somente uma cor com suas variações de tons, obtidas com o auxílio do branco para clarear e do preto para escurecer.
8. LUZ, SOMBRA, VOLUME
Quando há luz há também sombra
A conjugação luz + sombra = percepção de volume
Mudança na fonte luminosa = mudança na sombra
Contraste entre luz e sombra = efeito claro-escuro
Sugerir movimento e ritmo
9. ESPAÇO
Uma figura plana sobre um fundo chapado não dá idéia de espaço, a figura fica colada ao fundo
Se a mesma figura plana for atingida pela luz, surgem: sombras, a idéia de volume e a ilusão da profundidade
Espaço X observador = relação variável - dimensões dos objetos são proporcionais à distância do observador em relação aos objetos
Aspectos que sugerem distância de objetos:
Cores + intensas = objetos + próximos
Esfumaçado azulado s intensifica a idéia de afastamento, nos objetos que estão ao fundo
Objetos mais próximos s maior detalhamento
Objetos mais distantes = menor detalhamento
10. PERSPECTIVA
É um efeito visual
É uma técnica que permite transferir para o desenho aquela impressão que nossos olhos vêem quando observam um espaço em que há objetos mais distantes
Exemplo: linha de trem- Quando observamos uma linha de trem, temos a impressão de que as duas linhas de trilho se unem no final e se tocam, até onde nossa vista alcança.
Chamamos de perspectiva:
A percepção visual de um espaço por meio de linhas paralelas que convergem a um ponto, o ponto de fuga;
A representação desse fenômeno no desenho, estratégia que dá efeito de profundidade
11. COMPOSIÇÃO
Combinação dos elementos do alfabeto visual
Quando observamos uma obra visual, compreendemos que é resultado de:
Um projeto inicial
Um trabalho de pesquisa
Uma composição de vários elementos que se conjugam para provocar um determinado
efeito final
É BOM SABER
Sobre Georges Seurat (1859-1891): é o criador do pontilhismo, ou seja, técnica em que o artista produz sua obra com pontos. Estes podem aparecer muito pequenos e próximos uns dos outros ou maiores e mais distanciados. As cores se mesclam na tela, e com o pincel e pequenos ou grandes pontos o artista compõe sua obra. Era um pintor lento em seu trabalho, mas suas obras revelam aspectos quase científicos. Suas tela a óleo a tinta ou a lápis são todas precisas e harmônicas. A cientificidade que caracterizou as suas criações
Uma das marcas desse artista. Seus quadros são cheios de mistério e poesia.
Sobre o alfabeto visual: “é constituído de sinais fundamentais, com os quais se formam imagens. Esses sinais são: o ponto, a linha, a superfície, o volume, a luz, a cor”...
Quem quiser saber mais sobre o assunto ir em www.ensinarevt.com/conteudos/ponto-linha/index.html

sexta-feira, 23 de julho de 2010

A Dança" de Henri Matisse



"A Dança", 1910.Óleo sobre tela, 260 x 391 cm.Museu do Ermitage
.No quadro encontramos representadas cinco figuras femininas (aparentemente), dançando nuas em roda de um eixo imaginário; uma colina ou um monte e o céu, ou talvez a água de um lago ou rio.Predominam duas cores primárias azul e vermelho (alaranjado) e o verde complementar. As cores criam silhuetas recortadas que se unem num equilíbrio entre o verde e o azul em contraste com o tom cálido. As cores criam unidade e possuem uma luminosidade própria, intensa, valem por si.O quadro exprime movimento e ritmo - derivado das formas arredondadas e volumosas das figuras que dançam. Estas figuras apresentam uma certa elegância (leveza de formas), assim como sugerem força corporal e muscular que impele ao movimento. As figuras transmitem energia.A figura inferior central, com posição oblíqua, funciona como o "veio de transmissão" do movimento em elipse, no sentido dos ponteiros do relógio, ritmado como que a marcar o tempo.O movimento e ritmo apontam para uma certa embriaguez (ou entusiasmo) dionisíaca, no sentido de uma libertação da dualidade humana (em relação à terra). Para o efeito contribui a cor vermelha (cor quente), que pode simbolizar o fogo que aspira ao alto, ou a força da vida, logo um culto iniciático, uma vertente divina; é essencial a tensão sugerida pelo tom cálido entre as cores frias (verde e azul).A fertilidade é sugerida pela cor vermelha dos corpos nus e pela figura central vertical, devido à forma do ventre."A Dança" de Matisse alude à obra de Igor Stravinsky "A Sagração da Primavera". Sob certo ponto de vista, a representação de figuras que dançam num frenesi embriagante e primitivo, em "A Dança" alude ao ritmo diabólico e demolidor de "A Sagração da Primavera".
“O Grito”, 1893 – Edvard Munch



. A obra apresenta uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial.
. O pano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo, ao pôr do sol.
. O grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Monalisa de Leonardo da Vinci.
. A fonte de inspiração de “O grito” pode ser encontrada na vida pessoal do próprio Munch, um homem educado por um pai controlador, que assistiu em criança a morte da mãe e de uma irmã.
. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar à pintura, Munch cortou relações com o pai e integrou a cena artística de Oslo.
. A escolha não lhe trouxe a paz desejada, pelo contrário.
. Envolveu-se com uma mulher casada que só lhe trouxe mágua e desespero.
. Em 1890, sua irmã favorita, (Laura) foi diagnosticada com doença bipolar e internada num asilo psiquiátrico.
. O seu estado de espírito está bem patente nas linhas que escreveu n o seu diário:
“Passeava com dois amigos ao pôr -do- sol- O céu ficou de súbito vermelho-sangue- eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta- havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade- os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade- e senti o grito infinito na natureza”.
. Munch imortalizou esta impressão no quadro “O desespero”, que representa um homem de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo semelhante à sua expressão pessoal.


. Vemos ao fundo um céu de cores quentes, em oposição ao rio em azul de cor fria que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo ( onde o que interessa para o artista é a expressão de suas idéias e não um retrato da realidade).
. Vemos que a figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário.
. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras.
. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. .Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, quem não se abalou (supostamente seus amigos, como descrito acima) e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.
. A dor do grito está presente não só no personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem.
. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.


. A obra apresenta uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial.
. O pano de fundo é a doca de Oslofjord, em Oslo, ao pôr do sol.
. O grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Monalisa de Leonardo da Vinci.
. A fonte de inspiração de “O grito” pode ser encontrada na vida pessoal do próprio Munch, um homem educado por um pai controlador, que assistiu em criança a morte da mãe e de uma irmã.
. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar à pintura, Munch cortou relações com o pai e integrou a cena artística de Oslo.
. A escolha não lhe trouxe a paz desejada, pelo contrário.
. Envolveu-se com uma mulher casada que só lhe trouxe mágua e desespero.
. Em 1890, sua irmã favorita, (Laura) foi diagnosticada com doença bipolar e internada num asilo psiquiátrico.
. O seu estado de espírito está bem patente nas linhas que escreveu n o seu diário:
“Passeava com dois amigos ao pôr -do- sol- O céu ficou de súbito vermelho-sangue- eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta- havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade- os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade- e senti o grito infinito na natureza”.
. Munch imortalizou esta impressão no quadro “O desespero”, que representa um homem de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo semelhante à sua expressão pessoal.


. Vemos ao fundo um céu de cores quentes, em oposição ao rio em azul de cor fria que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo ( onde o que interessa para o artista é a expressão de suas idéias e não um retrato da realidade).
. Vemos que a figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário.
. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras.
. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. .Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, quem não se abalou (supostamente seus amigos, como descrito acima) e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.
. A dor do grito está presente não só no personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem.
. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

introdução ao desenho

Introdução ao desenho

1 - Características do desenho:
Diferente da pintura que usa a mancha para preencher superfícies com a cor, o desenho caracteriza-se pela representação gráfica de traços. O seu uso isolado ou na construção de formas, dependendo do propósito, pode gerar sobre uma superfície física ou em meios virtuais, imagens figurativas ou abstratas.



2 - O desenho quanto à forma
Como desenho, propriamente dito, pode ser reconhecido desde um simples risco ate configurações complexas. E ao desenhista não deve ser responsabilizada a obrigação de imitar unicamente a natureza visível com a perfeição esperada. O seu universo gráfico pode transitar pela figuração abstrata que habita a imaginação humana ou os motivos invisíveis, a olho nu, pertencentes a realidade microscópica. Em síntese, identificamos a forma do desenho em duas categorias a saber:
a) Desenho figurativo: Tem a finalidade de representar formas que reproduzem a aparência da realidade. Tanto as naturais quanto as criadas pelo homem. A sua execução pode ser a partir da observação, de memória ou de criação.
b) Desenho abstrato: Representação gráfica não figurativa que tem como motivo de referencia, formas orgânicas (formas da natureza) e geométricas (composição com linhas, planos e ou sólidos geométricos).
3 - Tipos de desenho
O desenho pode ter, como ponto de partida, vários enfoques. Há os que reproduzem o mundo real, outros que revelam a memória do seu autor e ainda os que são propostas originais de novas formas. Vejamos sobre cada uma dessas facetas nos três tópicos a seguir:
a) Desenho de observação: É a representação, na maioria das vezes figurativa, a partir da observação de um modelo se propondo a transferir para o papel de desenho sua forma, textura, iluminação, cor, etc., com auxílio de instrumentos de mensuração visual a distância ou medidas e cálculos mentais por meio da observação direta.
b) Desenho de memória: Representação gráfica que se espelha na forma de elementos da realidade visualizada anteriormente.
c) Desenho de criação: Apresenta configuração original. Pode ser obra da pura imaginação, abstração ou o resultado da combinação de outras formas já existentes, inspiradas nos elementos da realidade.

sábado, 22 de maio de 2010

Uma leitura do "Navio de Emigrantes"

Labirintos do Ser
História, Cultura & Memória. "... o que permaneceu incompreendido retorna: como uma alma penada, não tem repouso até que seja encontrada resolução e libertação." Sigmund Freud
Uma leitura do "Navio de Emigrantes".





















A cada vez que é apreciada, vista e revista, a pintura "Navio de Emigrantes" de Lasar Segall (1891-1957) provoca impressões das mais contraditórias. Sentimentos de desalento, fragilidade e melancolia e, ao mesmo tempo um tênue fio de esperança com relação ao futuro dessas vidas tão precárias, que planejam começar tudo de novo em meio à destruição e saudade. Este entrelaçamento de sensações perpassa a mente do espectador.

"Navio de Emigrantes" é constituído por um corte da proa de uma embarcação sobre um fundo verde ondulado representando o mar, e uma sutil linha branca separando os dois espaços. A proa do navio destaca-se por sua significativa forma oval. Elipse protetora e que ao mesmo tempo aprisiona mais de uma centena de pessoas empilhadas ao longo deste espaço, dividido por linhas diagonais. Vigas de poder ambíguo, que delimitam espaços e desconstroem as situações.

O artista evita tonalidades quentes, construindo um colorido triste e silencioso, em tons terra e areia, evocando a proximidade da terra, que ainda não pode ser avistada do navio, numa variedade de marrons, cinzas, ocres e amarelos. Composição sem contrastes violentos, destacando certa luminescência dos rostos rosados e tristes e uns poucos detalhes brancos e tonalidades mais claras nas roupas dos emigrantes (onde predomina a cor de terra) chegando a ensaiar uma tímida luminosidade. Todavia um tom sombrio prevalecerá neste palco de dramaticidade tensa, porém contida.

Nesse cenário estão casais, famílias com crianças pequenas, anciães. uma variedade de tipos e faixas etárias e pessoas solitárias, porém sobressaindo uma presença maior de figuras femininas e maternais, sempre presentes na obra de Lasar Segall. De qualquer formas todos estão tentando se acomodar da melhor maneira possível: ajoelhados, sentados no chão ou em cima de sua bagagem, acocorados, encostados na parede, apoiando-se em seus pertences ou, recostados nas poucas cadeiras que existem, deitados em lonas estendidas no chão, ou em camas improvisadas em cima de caixas... Tudo em meio de cordas, correntes, barris, caixotes e metais num ambiente soturno e insalubre.

Muitos estão em repouso, exaustos, outros debruçados na amurada esquerda do navio. Todos de cabeças baixas, com os olhos fechados, lábios cerrados e ombros caídos; expressões cansadas, combalidas e melancólicas.

Rostos tensos, corpos frágeis e arredondados, guardando uma certa tridimensionalidade escultórica. Apesar de tudo, sempre conservando certa delicadeza e serenidade estóicas; entranhados num sonho interior.

O que estão sonhando? Um mundo melhor, sem miséria, violência, "pogroms" e outras manifestações de intolerância? Um lugar para onde não estariam viajando de maneira forçada, apenas para salvarem suas vidas (tanto no aspecto físico, quanto espiritual), a conhecer um universo estranho, o outro de maneira desigual e humilhante, sem contato entre civilizações de forma igualitária e afetiva, desarmada de constrangimentos? Estariam com saudades de sua terra natal, que provavelmente jamais voltarão a ver? Ou estariam, em seu íntimo, lutando para esquecê-la? Dentro deste útero imenso, que mundo novo estaria sendo gestado e surgiria através de um parto difícil, porém inadiável...

A identidade de emigrantes une e dá coesão a todas estas pessoas. Universaliza, sem padronizar, todas as particularidades culturais e religiosas. Não devem ser vistas apenas como representação de um grupo étnico. Naturalmente a pintura possui caráter autobiográfico. A condição judaica do artista, perseguições políticas e religiosas que ele presenciou e sofreu nas primeiras décadas do século XX. Inspirado em experiência pessoal, anotações de viagens e numa série de gravuras de metal, feitas entre 1928 e 1938 sobre os vários ângulos deste tema e, que serviram de ensaio para esta pintura. Produzida entre 1939 e 1941, início da II Guerra Mundial, evoca um genocídio que já havia começado havia muito tempo e que sempre foi denunciado em sua obra. Entretanto "Navio de Emigrantes" universaliza o tema, sintetizando de forma contundente aspectos da experiência autoritária do começo do século XX.

Os emigrantes não estão coisificados, despersonalizados. Apesar da fragmentação e da ausência de privacidade que as linhas e o espaço impõem estes personagens anônimos possuem subjetividade, sofrem, desejam, sentem frio e fome, dor e alegria. Tentam manter uma sociabilidade possível, mesmo imersos em seu mundo interior, lutando para acordar de um pesadelo que parece interminável e não chegarem derrotados ao seu destino incerto. Um homem toca alaúde, introspectivo, quase sozinho, absorvido pelas melodias de sua terra natal. Entretanto, poucos parecem estar interessados em apreciar sua arte.

A proa do navio também pode evocar a metáfora de uma prisão, com suas grades compostas por enormes vigas de madeira em diagonais que delimitam arbitrariamente os espaços. Paradoxalmente sua forma oval, elíptica, também sugere a ideia de ciclo que se fechou, destino traçado, irremediável, cruzes que todos devem carregar , ou um novo nascimento em meio a esta provação. No canto esquerdo uma jovem (viúva, talvez?) puxa seu filho pequeno pela mão esquerda, enquanto encosta a outra mão em sua face cansada, buscando um apoio imaginário ou algum conhecido que se dispersou pela embarcação, cercada por duas vigas, está quase isolada das outras pessoas do navio por causa do cruzamento destas linhas.

O que dizer dos respiradouros, que apontam para várias direções como se fossem grandes olhos vigilantes e inquiridores. Um labirinto onde tudo remonta à mesma cena, onde quer que a pessoa mire os olhos. Sugere um porão que o artista "elevou" ao convés para dar maior visibilidade à cena.

Dessa forma, a pintura é construída através destes fragmentos, os grupos de emigrantes, arrumados em forma piramidal, denotando certa verticalidade, a exemplo de suas escultural, que se unem num todo maior, em diversos níveis que coexistem. Várias fases e técnicas de sua obra se sobrepõem. Convivem a precisão dos vários estilos de gravura, a tridimensionalidade de sua escultura, a síntese geométrica de sua paisagem, numa linguagem que manteve-se fiel aos seus ideais políticos e estéticos.

Mostrando uma visão crítica da modernidade, embora não pessimista e desesperada, enfatizando os aspectos humanos, a desagregação, a miséria que por vezes ela pode provocar, apesar de seu projeto emancipador, que o autoritarismo e tecnocracia, seus filhos bastardos, interromperam. Uma chama de esperança luta para se manter acesa, sustentando-se num frágil equilíbrio, entre medo e destruição e possibilidades de renascimento e reconstrução.

É um documento que permite várias leituras, para as pessoas de nossa sociedade pós-moderna o "Navio de Emigrantes" coloca questões diferentes das que foram feitas para a sociedade brasileira da década de 1940, embora mantenha alguns pontos de contato, como luta contra o autoritarismo, a censura e a miséria, movimentos pela democracia e justiça social, as formas de percepção e engajamento são diferentes em nossa contemporaneidade fragmentada, contudo igualmente desigual e excludente para com as diferenças , como em outras épocas, frente aos seus persistentes e questionadores errantes.

Agora tenho um blog!!!!

Neste blog irei colocar minhas obras de arte, os trabalhos de meus alunos, vídeos e imagens relacionadas à arte. Aguardem!!!